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Fundamentos de investimento
Spread Bid-Ask (Diferencial de Compra e Venda)
O spread bid-ask é a diferença entre o preço mais alto que um comprador está disposto a pagar por um ativo e o preço mais baixo que um vendedor está disposto a aceitar.
Spread Bid-Ask (Diferencial de Compra e Venda)
O spread bid-ask, ou diferencial de compra e venda, é a distância entre dois preços cotados simultaneamente para um ativo negociável: o bid, que é o preço mais alto que um comprador está disposto a pagar naquele momento, e o ask (ou oferta), o preço mais baixo que um vendedor está disposto a aceitar. A fórmula é simples: spread = preço ask - preço bid. Como os dois lados raramente coincidem exatamente, esse intervalo existe de forma contínua em praticamente todos os mercados, de ações e títulos a câmbio e commodities, e costuma aparecer ao lado do último preço negociado em quase toda plataforma de negociação.
O tamanho do spread revela algo importante sobre o ativo. Um spread estreito, muitas vezes uma fração mínima de um por cento, geralmente indica um mercado líquido e bastante negociado, com muitos compradores e vendedores e variações de preço pequenas - como costuma ocorrer com as blue chips da B3 ou com pares de moedas importantes, como USD/BRL. Um spread largo indica o contrário: menos participantes, volume de negociação mais baixo ou maior incerteza sobre o valor justo do ativo, algo comum em ações de menor liquidez, algumas opções ou pares de moedas exóticos. O spread também costuma ser expresso como percentual do preço médio - (ask - bid) dividido por [(ask + bid) / 2], multiplicado por 100 -, o que facilita comparar spreads entre ativos com níveis de preço muito diferentes.
Vale lembrar que o spread bid-ask não é uma taxa cobrada pela corretora, mas sim um fenômeno do próprio mercado, determinado em grande parte pelas cotações de formadores de mercado (market makers) e distribuidores. Ao comprar no preço ask e vender imediatamente no preço bid, o spread é o custo real que você absorve, separado de qualquer corretagem. Para quem opera com frequência, o custo acumulado do spread pode se tornar significativo ao longo do tempo, por isso vale conhecer os spreads típicos dos ativos negociados.
Exemplo de Cálculo
Suponha que você consulte a cotação em tempo real de uma blue chip da B3 e veja um bid de R$ 38,40 e um ask de R$ 38,44. O spread bid-ask aqui é R$ 38,44 - R$ 38,40 = R$ 0,04. Como percentual do preço médio de R$ 38,42, isso equivale a (R$ 0,04 / R$ 38,42) x 100 ≈ 0,10%. Trata-se de um spread muito estreito, típico de uma ação de alta liquidez negociada intensamente, com milhares de ações trocando de mãos a cada minuto.
Compare isso com uma ação de menor liquidez, cotada com um bid de R$ 4,10 e um ask de R$ 4,45. O spread é R$ 4,45 - R$ 4,10 = R$ 0,35, o que representa, sobre o preço médio de R$ 4,275, cerca de (R$ 0,35 / R$ 4,275) x 100 ≈ 8,19% - um spread bem mais largo em termos percentuais do que o exemplo anterior. Se você comprasse 1.000 ações a R$ 4,45 e as vendesse imediatamente a R$ 4,10, perderia R$ 350,00 só com o spread, antes mesmo de qualquer corretagem, simplesmente porque essa ação é negociada com muito menos frequência.
Aplicação Prática
Investidores pessoa física e institucionais usam o spread bid-ask como um indicador rápido de custo de negociação e liquidez antes de enviar uma ordem, especialmente em ações, opções ou ETFs menos líquidos. Se o spread de um ETF estiver largo, o investidor pode preferir uma ordem limitada em vez de uma ordem a mercado, para evitar comprar em um ask inflado ou vender em um bid deprimido.
Formadores de mercado e distribuidores ficam do outro lado do spread: eles cotam continuamente tanto o bid quanto o ask, lucrando com a diferença em troca de estarem sempre prontos para comprar ou vender. Isso os compensa pelo risco de manter posições em um mercado que se move rapidamente e pelo chamado risco de seleção adversa, isto é, negociar com contrapartes mais bem informadas.
No mercado de câmbio, o spread bid-ask é uma fonte central de receita para as corretoras, já que muitas não cobram corretagem separada e, em vez disso, embutem o lucro diretamente no spread de cada par de moedas. Ao comparar pares, os principais, como USD/BRL, costumam apresentar spreads bem mais estreitos do que pares exóticos.
Erros Comuns
Um equívoco comum é confundir o spread bid-ask com uma taxa cobrada pela corretora. Na verdade, trata-se de um fenômeno de todo o mercado, determinado pela oferta, pela demanda e pelas cotações dos formadores de mercado, e não de um item cobrado separadamente na fatura da corretora, ainda que funcione como um custo real para o investidor.
Outro erro frequente é confundir um spread largo com alta volatilidade. Embora os dois costumem estar relacionados, medem coisas diferentes: a volatilidade descreve o quanto um preço oscila ao longo do tempo, enquanto o spread descreve a distância entre as melhores cotações de compra e venda em um instante específico. Um ativo pode ter um spread largo com volatilidade moderada simplesmente por ser negociado com pouca frequência.
Investidores que entram e saem de posições com frequência às vezes subestimam o quanto o custo acumulado do spread corrói a rentabilidade, sobretudo em ativos menos líquidos ou em momentos de maior volatilidade, quando os spreads tendem a se ampliar. Ao longo de dezenas ou centenas de operações, esse custo pode se equiparar ou até superar o das corretagens.
Por fim, alguns acreditam que um spread estreito, por si só, garante uma operação boa e de baixo risco. Um spread estreito reflete boa liquidez no melhor preço disponível, mas não diz nada sobre o volume existente além desse preço - uma ordem grande ainda pode movimentar o mercado de forma significativa mesmo em um mercado nominalmente "estreito".
Comparação
Aspecto
Spread Bid-Ask
Liquidez (Profundidade do Livro de Ofertas)
Definição
A diferença entre o melhor preço ask e o melhor preço bid
O volume de ordens de compra e venda disponível nos melhores preços e perto deles
Como é medido
Preço ask menos preço bid, geralmente como percentual do preço médio
Volume total de ordens visível em cada nível de preço no livro de ofertas
O que indica
O custo implícito de negociar imediatamente
Quanto volume pode ser negociado sem mover o preço de forma significativa
Uso típico
Comparar custos de negociação entre corretoras, ativos ou horários do pregão
Avaliar se uma ordem grande pode ser executada sem slippage significativo
Principal limitação
Não revela quanto volume existe além do melhor preço
Por si só não mostra o custo explícito de negociar no melhor preço
Um spread costuma aumentar quando o volume de negociação cai, quando há menos compradores e vendedores cotando preços ativamente, ou quando a incerteza sobre o valor de um ativo cresce, como em torno de balanços ou notícias relevantes. Os formadores de mercado alargam suas cotações para se proteger do risco de negociar a um preço que pode ficar rapidamente desatualizado em um mercado volátil ou pouco líquido.
O spread bid-ask é uma taxa que pago à minha corretora?
Não, o spread em si não é uma taxa da corretora - ele é definido pelo mercado, por meio dos preços que compradores e vendedores, especialmente os formadores de mercado, estão dispostos a cotar. Ainda assim, funciona como um custo de negociação real, já que comprar no ask e vender no bid significa perder o valor do spread, à parte de qualquer corretagem que a corretora possa cobrar.
Como calcular o percentual do spread bid-ask?
Subtraia o bid do ask para obter o spread em reais, divida pelo preço médio (a média entre bid e ask) e multiplique por 100. Por exemplo, com um bid de R$ 10,00 e um ask de R$ 10,02, o spread é R$ 0,02, o preço médio é R$ 10,01 e o spread percentual é de cerca de 0,20%.
Por que os formadores de mercado lucram com o spread?
Os formadores de mercado cotam continuamente tanto o preço de compra quanto o de venda, prontos para negociar a qualquer momento, o que fornece liquidez para que outros participantes negociem de imediato. O spread os remunera por esse serviço e pelos riscos envolvidos, incluindo manter posições que podem perder valor e o risco de seleção adversa ao negociar com contrapartes mais bem informadas.
Um spread estreito garante uma boa operação?
Não necessariamente. Um spread estreito indica boa liquidez nos melhores preços atuais, o que geralmente é favorável, mas não garante que a operação em si seja uma boa decisão de investimento, nem revela quanto volume existe além do melhor preço. Uma ordem grande ainda pode sofrer slippage mesmo em um mercado com spread historicamente estreito.