Na cunha ascendente, topos e fundos ficam cada vez mais altos, mas os topos sobem mais devagar do que os fundos: as duas linhas sobem e convergem. Cada nova máxima avança menos, sinal de que a força compradora está diminuindo. O padrão pode aparecer no fim de uma alta (reversão) ou como repique dentro de uma queda (continuação). O viés é de baixa e a confirmação é o fechamento abaixo da linha inferior.
Cunha Ascendente
A cunha ascendente é um padrão gráfico de viés de baixa: o preço sobe entre duas linhas inclinadas para cima que se aproximam, mostrando que a alta perde força, e se confirma com a perda da linha inferior.
Resumo rápido
Estrutura e identificação
Linha inferior: liga fundos ascendentes; é o suporte a ser rompido.
Linha superior: liga topos ascendentes, com inclinação menor que a inferior.
Convergência: as linhas se aproximam; linhas paralelas formam um canal de alta, não uma cunha.
Toques: pelo menos dois toques em cada linha, de preferência três.
Rompimento: fechamento abaixo da linha inferior; o volume pode aumentar, mas nem sempre aumenta em quedas.
Psicologia do mercado
Os compradores ainda conseguem novas máximas, mas cada avanço rende menos. As correções são cada vez mais curtas, e o preço fica espremido: falta combustível para continuar subindo.
Quando a linha inferior cede, quem comprou nos últimos repiques fica no prejuízo e a venda pode acelerar. A cunha mostra perda de momento da alta, não o tamanho da queda seguinte.
Regras de operação
Entrada
A entrada clássica é a venda (ou a saída de compras) depois de um fechamento abaixo da linha inferior. Os mais cautelosos esperam o preço perder também o último fundo dentro da cunha.
Stop loss
Um stop comum fica acima do último topo da cunha. Se o preço fizer nova máxima, a leitura de baixa falhou.
Alvo
Uma referência é o início da cunha (o fundo onde ela começou); outra é projetar a altura da parte mais larga para baixo a partir do rompimento. Exemplo: cunha que começa em R$ 30,00 e tem a parte larga de R$ 30,00 a R$ 35,00 (R$ 5,00); rompimento em R$ 34,00 dá alvo perto de R$ 29,00.
Invalidação
O padrão é invalidado se o preço volta a fechar acima da linha inferior após o rompimento, e principalmente se faz nova máxima acima do último topo.
Sinais de confirmação
Volume: volume diminuindo enquanto a cunha sobe indica alta sem participação.
Momento: divergência de baixa no IFR (RSI) ou no MACD, com o indicador fazendo topos mais baixos, reforça a perda de força.
Contexto: dentro de uma tendência de baixa maior, a cunha ascendente costuma ser lida como repique que termina.
Rompimento: use o fechamento, não apenas uma sombra abaixo da linha.
Exemplo em uma ação da B3
Suponha que uma ação da B3 sobe de R$ 30,00 para R$ 35,00 em dois meses. Os fundos sobem rápido (R$ 30,00, R$ 32,00, R$ 33,50), mas os topos avançam pouco (R$ 34,00, R$ 34,60, R$ 35,00), e o IFR faz topos mais baixos. Então o preço fecha em R$ 33,20, abaixo da linha inferior. Um trader poderia vender ou zerar compras, colocar o stop acima de R$ 35,00 e mirar a região de R$ 30,00, onde a cunha começou.
Erros comuns
Confundir com canal de alta
Se as linhas são paralelas, não há perda de força; é uma alta organizada.
Vender antes do rompimento
Cunhas podem se alongar bastante. Espere o fechamento abaixo da linha inferior.
Inverter o viés
A cunha ascendente tem viés de baixa, mesmo com o preço subindo.
Linhas com poucos toques
Com um toque só em uma das linhas, a cunha não está bem definida.
Ignorar a tendência maior
Em uma alta muito forte, a cunha pode ser rompida para cima; respeite o stop.
Checklist
- As duas linhas estão inclinadas para cima
- As linhas convergem
- Há pelo menos dois toques em cada linha
- O volume diminui enquanto o preço sobe
- Um candle fechou abaixo da linha inferior
- O stop está acima do último topo
- Alvo definido (início da cunha ou altura projetada)
Perguntas frequentes
Fontes
As definições seguem a descrição usual da análise técnica reunida nas fontes acima. Padrões gráficos são ferramentas de interpretação; nenhum padrão tem taxa de acerto fixa.