Na cunha descendente, topos e fundos ficam cada vez mais baixos, mas os fundos caem mais devagar do que os topos: as duas linhas descem e convergem. Cada nova mínima avança menos, sinal de que a pressão vendedora está diminuindo. O padrão pode marcar o fim de uma queda (reversão) ou o fim de uma correção dentro de uma alta (continuação). Em ambos os casos, o viés é de alta e a confirmação é o fechamento acima da linha superior.
Cunha Descendente
A cunha descendente é um padrão gráfico de viés de alta: o preço cai entre duas linhas inclinadas para baixo que se aproximam, mostrando que a queda perde força, e se confirma com o rompimento da linha superior.
Resumo rápido
Estrutura e identificação
Linha superior: liga topos descendentes; é a resistência a ser rompida.
Linha inferior: liga fundos descendentes, com inclinação menor que a superior.
Convergência: as linhas se aproximam; se forem paralelas, o desenho é um canal, não uma cunha.
Toques: pelo menos dois toques em cada linha, de preferência três, para que as linhas sejam confiáveis.
Rompimento: fechamento acima da linha superior, idealmente com volume crescente.
Psicologia do mercado
Os vendedores ainda conseguem fazer novas mínimas, mas cada empurrão rende menos. Os repiques também são contidos, porém o espaço da queda vai encolhendo: o mercado está ficando sem vendedores dispostos a vender mais barato.
Quando a linha superior é rompida, os compradores mostram que voltaram a ter força. A cunha indica perda de momento da queda, mas não diz o tamanho da alta seguinte.
Regras de operação
Entrada
A entrada clássica é a compra depois de um fechamento acima da linha superior. Os mais cautelosos esperam o preço superar também o último topo dentro da cunha.
Stop loss
Um stop comum fica abaixo do último fundo da cunha. Se o preço voltar a fazer mínima nova, a leitura de alta falhou.
Alvo
Uma referência é o início da cunha (o topo onde ela começou); outra é projetar a altura da parte mais larga a partir do rompimento. Exemplo: cunha que começa em R$ 20,00 e tem a parte larga de R$ 20,00 a R$ 16,00 (R$ 4,00); rompimento em R$ 16,80 dá alvo perto de R$ 20,80.
Invalidação
O padrão é invalidado se o preço volta a fechar abaixo da linha superior após o rompimento, e principalmente se faz nova mínima abaixo do último fundo.
Sinais de confirmação
Volume: volume diminuindo dentro da cunha e aumentando no rompimento.
Momento: divergência de alta no IFR (RSI) ou no MACD, com o indicador fazendo fundos mais altos, reforça a perda de força vendedora.
Contexto: dentro de uma tendência de alta maior, a cunha descendente costuma ser lida como correção que termina.
Rompimento: use o fechamento, não apenas uma sombra acima da linha.
Exemplo em uma ação da B3
Imagine uma ação da B3 que cai de R$ 20,00 para R$ 16,00 em dois meses. Os topos descem rápido (R$ 20,00, R$ 18,50, R$ 17,40), mas os fundos descem devagar (R$ 16,60, R$ 16,20, R$ 16,00). O IFR faz fundos mais altos. Então o preço fecha em R$ 17,60, acima da linha superior, com volume acima da média. Um trader poderia comprar, colocar o stop abaixo de R$ 16,00 e mirar a região de R$ 20,00, onde a cunha começou.
Erros comuns
Confundir com canal de baixa
Se as linhas são paralelas, não há perda de força; é apenas uma tendência de baixa organizada.
Comprar antes do rompimento
A queda pode continuar; espere o fechamento acima da linha superior.
Inverter o viés
A cunha descendente tem viés de alta, ao contrário do que o nome pode sugerir.
Linhas com poucos toques
Com só um toque em uma das linhas, a cunha é mais imaginação do que padrão.
Esquecer o stop
Se o preço fizer nova mínima, saia conforme o plano.
Checklist
- As duas linhas estão inclinadas para baixo
- As linhas convergem
- Há pelo menos dois toques em cada linha
- O volume diminui dentro da cunha
- Um candle fechou acima da linha superior
- O stop está abaixo do último fundo
- Alvo definido (início da cunha ou altura projetada)
Perguntas frequentes
Fontes
As definições seguem a descrição usual da análise técnica reunida nas fontes acima. Padrões gráficos são ferramentas de interpretação; nenhum padrão tem taxa de acerto fixa.